a ciência da covardia

olho
por alguns minutos
covarde
e
aflitamente
seu último
parágrafo

pergunto
se você
chegou
a me amar
fora
dos versos
e versículos
fora
dos termos
satânicos
e
bíblicos
fora
dos
argumentos
empíricos
da sua
personalidade
tóxica
suicida

eu te criei
como uma
incógnita
em
mim

e quando
escoem
as
interrogações
e as
falácias
já estou
só
e
sem
perdão
que fale
a sua língua
taciturna

amnésia

esqueça-me
dos teus livros
rabiscados
das tuas composições
encomendadas
das tuas xícaras
de café
silenciosas
da tua literatura
minha
senhora

esqueça-me
dos teus poemas
mal versados
da tua prosa
pseudorimada
da tua libido
incontinente
do teu ódio
aparente
dos teus sentidos
incoerentes
da tua fé
ratificadora
do teu choro
de gangorra
do teu sorriso
onde quer
que eu
morra

arremeter

ouço gritos
sussurros
permissividades
quando
me
deito

poemas
concretos
líquidos
perfeitos

alguém canta
do lado
de lá

às vezes
não sei
onde
estou
não sei
se
dormi
não sei
se
morri

sei
que
a parte
tenra
de estar
vivo
é poder
me ausentar
de tudo
que já
vivi