o nada que me habita

estou tão cansado
que meus pés
não me enxergam
mais

penso em te escrever
para falar que estou
doente
de tão
são

imagino como
era bom
beber
no
teu
gargalo

e me
perco
na conjugação
verbal
por não
ser
mais
pronome
possessivo
pra
ti
por não
ser
mais
Tiago
nem
“Ti”

não
ser
nem
ao menos
“se”

camuflagem

não importa
mais
ter
argumento
ser
homônimo
pseudônimo
ou
ser
escrito
pelo
vento

não quero
endireitar
tuas
caligráficas
curvas
ou verter
teus pensamentos
às minhas proposições
sofismas
e
epifanias
alhures

quero
a
paz
de quem
passa
sem
ser
notado
de quem
não tem
flores
nem
caixão
fechado

quero
a
importância
de um
desdém
cafeinado
mais
aconchegante
do que
de fato
lembrado

depressão

dói sair
da cama
ardem
os pensamentos
como nuvens
empedradas

a vontade
é uma falácia
toda tentativa
é artificial
e o sorriso
impossível

a montanha
ao longe
chora
o mar
distante
grita
o coração
interno
gela
e
adoece

nem sei
por onde
respirar

deixo
aos pesadelos
do meu
inconsciente
o fio-guia

a vida
ainda
vai
voltar

amor barato

a segurança
instantânea
que ele
te dá
tem o prazo
da sua
juventude

mas eu também
vendo
barato
minhas
esperanças

o sussurro
do teu
corpo
que mais
me atraiu
foi
o
de
desespero

e o meu amor
tem o prazo
da
conquista
e
da
solicitude

perdão
por não
te contar
eu mesmo
não sabia
que doentes
atraem
doentes
e que
continuarão
em busca
da cura
em outras
camas
outros
maços
novas
dores
inexprimíveis