amor barato

a segurança
instantânea
que ele
te dá
tem o prazo
da sua
juventude

mas eu também
vendo
barato
minhas
esperanças

o sussurro
do teu
corpo
que mais
me atraiu
foi
o
de
desespero

e o meu amor
tem o prazo
da
conquista
e
da
solicitude

perdão
por não
te contar
eu mesmo
não sabia
que doentes
atraem
doentes
e que
continuarão
em busca
da cura
em outras
camas
outros
maços
novas
dores
inexprimíveis



a ciência da covardia

olho
por alguns minutos
covarde
e
aflitamente
seu último
parágrafo

pergunto
se você
chegou
a me amar
fora
dos versos
e versículos
fora
dos termos
satânicos
e
bíblicos
fora
dos
argumentos
empíricos
da sua
personalidade
tóxica
suicida

eu te criei
como uma
incógnita
em
mim

e quando
escoem
as
interrogações
e as
falácias
já estou
só
e
sem
perdão
que fale
a sua língua
taciturna

serafim corrupto

setembro
e sua pulsão
por carne

nego-me
três
vezes

a negação
atrai
o pronome
que
nunca mais
se fez
presente

impaciente
e fatidicamente
meus tornozelos
clamam
pelo desejo
do objeto
que
me
entediará
em um furtivo
futuro

e eu
tão
biliar
e
imaturo
respondo
à raiva
com
extorsão
e
assumo
não
haver
mais
ressureição
em
dezembro