letalidade

letal
como
o ritmo
sedutor
de quem
te adula
com a isca
temperada
do elogio

por método
de sobrevivência
fiz pouco
de ti
em
mim

antes
vazio
do que
cheio
de
gás sarin

o coração
agora
hipertrofiado
age
com profunda
indiferença

antes
vazio
do que
cheio
de
fentanil

teu
orgulho
é poder
dizer
que enfim
ele
desistiu

em cima do piano

eu durmo
com a guarda alta
e o maxilar
teso
e a dúvida
de ser
mais
do
mesmo

todos os dias
abro
contagem
de pontos
para
não virar
presunto

se minha
ânsia
te adula
leia
minha
bula
e evite
tomar
sua dose
homeopática
da minha
presença
patética

eu já
não faço
mais
questão
ter
importância
sou a mão
que o caixão
balança
algo perdido
na mentira
da
infância

pseudoriso

você maltrata
sua criança
interna
quando
se
orgulha
da
própria
indiferença

eu ainda
tento
arrancar
o band-aid
que
cobre
o escárnio
de não lembrar
os traços
mórbidos
da sua
face

e está
tudo
bem
quando
a dor
de mentir
é menor
que a dor
de não
dormir
e seu
riso
tem
o som
do
matadouro
e a cor
do
açoite

e está
tudo
bem
quando
você
dissimula
um caminho
leve
e
pacífico
enquanto
mastiga
as lâminas
daquilo
que fugiu
da sua mania
de controle
embebidas
no suco
ácido
do fracasso
em ser
feliz