são thomé letrado





eu que ando
vigilante e
descrente
no culto
misantrópico
dos que se tornam
resto

às vezes
transito
entre a
síndrome
de Estocolmo
e o narcisismo
vulnerável

percebi
a
falta
que
faz
morrer
aos poucos
pelas mãos
alheias

reflito
reluto
e ressinto

o e-mail
que nunca
chegará

a visita
a quem
nunca
oferecerei
café

o plano
que
nunca
sairá
dos
espaços
imagéticos
das entrelinhas
do
poema

como pedra no Arpoador

você não se importa
se eu tenho prazer
e me encontro
jogando
feitiços
dichavados
no
Arpoador

você quer
a satisfação
da
neurose
mais
arquitetada
da
sua
expectativa

pra você
isso é
amor

e um dia
eu quis
resolver
suas
ânsias
afetivas

mas
no entanto
eu
não duro
tanto
tempo
no
escuro

e nesse
não
vai
não
vem
ninguém
satisfaz
ninguém

dúBia

com o mesmo
peso
imobilizador
de um
romance
inacabado
as sábias
letras
me
confundiam
como
uma
bíblia
arcaica
e
proteica

dos
e-mails
não restou
sequer
um
palíndromo
apenas
o
desejo
secreto
da sua
xenofobia
e do meu
semideus
inconsciente

eu não
peço
que
volte
ou que
tenha
final
diferente

eu não
peço
nada
e
não
olho
para
frente

deixe
que repostem
com significado
reticente
não sofro
(é mentira)
desde
da
descoberta
que
pupilas
sequer
existem

amor barato

a segurança
instantânea
que ele
te dá
tem o prazo
da sua
juventude

mas eu também
vendo
barato
minhas
esperanças

o sussurro
do teu
corpo
que mais
me atraiu
foi
o
de
desespero

e o meu amor
tem o prazo
da
conquista
e
da
solicitude

perdão
por não
te contar
eu mesmo
não sabia
que doentes
atraem
doentes
e que
continuarão
em busca
da cura
em outras
camas
outros
maços
novas
dores
inexprimíveis