pseudoriso

você maltrata
sua criança
interna
quando
se
orgulha
da
própria
indiferença

eu ainda
tento
arrancar
o band-aid
que
cobre
o escárnio
de não lembrar
os traços
mórbidos
da sua
face

e está
tudo
bem
quando
a dor
de mentir
é menor
que a dor
de não
dormir
e seu
riso
tem
o som
do
matadouro
e a cor
do
açoite

e está
tudo
bem
quando
você
dissimula
um caminho
leve
e
pacífico
enquanto
mastiga
as lâminas
daquilo
que fugiu
da sua mania
de controle
embebidas
no suco
ácido
do fracasso
em ser
feliz

considerações póstumas

pessoas e preços
pecados
por
sonhos
princípios
por projeção

qual é o valor?
centavos?
reais?
dólares?
atenção?

todo gostar
é abuso
à minha
integridade

a crase facultativa
me gera
crise
de ansiedade

me apaixonei
pelo estranho
recalque
dela

chamei
de amor
o que era
senzala

o desdém de Zaratustra

o pior da humanidade
está contido
em nós

acusadores de Sócrates
carcereiros da paz
não deixamos
dormir
Morfeu
alimentamos
Schopenhauer
com os versículos
que nem Deus
entendeu

e não há nada
de errado
nisso

se sou
reflexo da escória
estou também
contido
como
carga viral
na coletividade

o que rasteja
também habita
a parte
de cima
todo dia castrado
admirando totens
em um gozo
patricida

a forma desnatura
o conteúdo
e sua tentativa
desesperada
de felicidade
e bonança
é o que te
leva
a reiterar
sua
mais
perversa
criança