arremeter

ouço gritos
sussurros
permissividades
quando
me
deito

poemas
concretos
líquidos
perfeitos

alguém canta
do lado
de lá

às vezes
não sei
onde
estou
não sei
se
dormi
não sei
se
morri

sei
que
a parte
tenra
de estar
vivo
é poder
me ausentar
de tudo
que já
vivi

serafim corrupto

setembro
e sua pulsão
por carne

nego-me
três
vezes

a negação
atrai
o pronome
que
nunca mais
se fez
presente

impaciente
e fatidicamente
meus tornozelos
clamam
pelo desejo
do objeto
que
me
entediará
em um furtivo
futuro

e eu
tão
biliar
e
imaturo
respondo
à raiva
com
extorsão
e
assumo
não
haver
mais
ressureição
em
dezembro



eu obscuro

quem é você
que me escora
nas paredes
quando volto
sozinho
pra
casa

quem é você
que me lembra
que eu nunca
fui
minha
prioridade

quem é você
que contrata
entidades
enquanto
estou
dormindo

quem é você
que me tem
quando
já
não
sou
mais
ninguém

transmutação

percebo
o placebo
desafetos
dos dejetos
do meu ego
não me cego
recebo o recado
fico incomodado
concebo com avidez
ruborizo a minha tez
e posso partir liberto
do pesadelo desperto
no lugar mais desejado
onde de fato é meu fado

XV – o diabo

ele sabe
o que eu não sei
ele seduz
com o que
nem me é
consciente
desejo

ele tem
a cópia original
e autografada
do meu livro
das sombras

ele é
a ejaculação
perversa
do meu
inconsciente

é ineficaz
tentar controlar
sua existência
se é justo ele
que inflama
minha mania
de controle

melhor
que me perder
no esforço
inútil
da dominação
é enfim
assumir
as possibilidades
de negociatas
e barganhas

triste
mas sacra
verdade
meu diabo
sempre foi
eu