na clínica (flores do mal)

o médico cocainômanocom sua barbaexacerbadagritandoCANALHA o guitarristaque se apaixonoupor alice in chainse tentou se matarcomendopilhaspalito o esquizofrênicoamante de ervaque sabe de cabeçatodas as linhasde ônibusdo Rioe roubasabonetespara comerescondido o famosoatorespaçosoe desequilibradocom seus dilemasde autoimagem o cara que trazdrogasbemescondidonas partesíntimase teofereceno quarto(as drogas e as partes íntimas!) a pequenameninailudidapor um grandeamorplatônicoe porgiletessocráticas e euum poucode todosenadadeninguémvendoContinuar lendo “na clínica (flores do mal)”

tempero do tempo

por um tempo eu só quisescrever coisas positivasdissimular a naturezaputrefatadas relaçõesfindadas por um tempo eu só tinhaa esperança em um calormenos congelantedo queesse seu amorculpado por um tempo quis esquecerdo suicídio descarrilhadoque o universoprovocavacom a lembrançada sua nudez por um temponão soubedizeradeusao salgadodas suas lágrimasque me recordavama existência de algumahumanidadeno seu olhar

noites juvenis

lembrei de quando tocávamos“boys don’t cry” no parquenaquelas madrugadas sutisque não precisavam acabarcomo acabaram precisandoantecipavam ressacase ressacas ainda eramcomedidamente poéticasa bebida era transportee não o destino finalas drogas ainda nãocheiravam usuáriossomente música e prazermistérios nas penumbraso desespero ainda nãopintava seus cabeloscom meu sanguee violões ainda eramos psicanalistasda noite