a gênese do caos

no princípio
era o tédio
e o tédio
estava
comigo

de repente
e improviso
um olhar
tergiversado
e um
sorriso

e
além
da
inércia
veio 
a luz
causar
com 
as
trevas
em uma
escala
cinzenta
impiedosa
de
inconstâncias
e aliterações

destruímos
nossos
pequenos
paraísos
de
segurança
pela
esperança
da dor
ter fim
e sermos
adorados
como
os
deuses
sádicos
que
plantam
árvores
e proíbem
o prazer
de seus
frutos

mas
o preço
inconsciente
do pecado
é que
apenas
trocamos
a pele
das
serpentes
que nos
habitam

e na calada
da culpa
busco
iluminação
deste caos
na
saturação
semântica
do
seu
nome

30 moedas de prata

reflito
melancolicamente
sob o efeito
da cafeína
e dos inibidores
seletivos
da recaptação
da serotonina

não há
justiça
nas relações
diplomáticas
e bélicas
entre
nós

ora treinava
contra mim
uma futura
adversária

ora era eu
covarde
no complexo
de pária

eu e você
nunca
mais
nos veremos

somos
rima forçada
padrão caótico
da mais bruta
mútua traição

somos
o enforcado
a culpa
o diabo

o que está
finalizado
irreformável
doente
e
eterno