dúBia

com o mesmo
peso
imobilizador
de um
romance
inacabado
as sábias
letras
me
confundiam
como
uma
bíblia
arcaica
e
proteica

dos
e-mails
não restou
sequer
um
palíndromo
apenas
o
desejo
secreto
da sua
xenofobia
e do meu
semideus
inconsciente

eu não
peço
que
volte
ou que
tenha
final
diferente

eu não
peço
nada
e
não
olho
para
frente

deixe
que repostem
com significado
reticente
não sofro
(é mentira)
desde
da
descoberta
que
pupilas
sequer
existem

arremeter

ouço gritos
sussurros
permissividades
quando
me
deito

poemas
concretos
líquidos
perfeitos

alguém canta
do lado
de lá

às vezes
não sei
onde
estou
não sei
se
dormi
não sei
se
morri

sei
que
a parte
tenra
de estar
vivo
é poder
me ausentar
de tudo
que já
vivi

serafim corrupto

setembro
e sua pulsão
por carne

nego-me
três
vezes

a negação
atrai
o pronome
que
nunca mais
se fez
presente

impaciente
e fatidicamente
meus tornozelos
clamam
pelo desejo
do objeto
que
me
entediará
em um furtivo
futuro

e eu
tão
biliar
e
imaturo
respondo
à raiva
com
extorsão
e
assumo
não
haver
mais
ressureição
em
dezembro



eu obscuro

quem é você
que me escora
nas paredes
quando volto
sozinho
pra
casa

quem é você
que me lembra
que eu nunca
fui
minha
prioridade

quem é você
que contrata
entidades
enquanto
estou
dormindo

quem é você
que me tem
quando
já
não
sou
mais
ninguém

considerações póstumas

pessoas e preços
pecados
por
sonhos
princípios
por projeção

qual é o valor?
centavos?
reais?
dólares?
atenção?

todo gostar
é abuso
à minha
integridade

a crase facultativa
me gera
crise
de ansiedade

me apaixonei
pelo estranho
recalque
dela

chamei
de amor
o que era
senzala