Rio-Santos vazia

não se distinguemmaiúsculas angústiasde minúsculas perdasParaty ecoa ausênciasdo que já foi um diachove sobre meus planosarde e cheira paralisiaressignificar símbolosé assim tão certomas desencaixar êmbolosé assim tão abstratoas seringas cheias de are os manguezais alagadosminha vontade natimortaespalhado na cama vaziaremói sem pedir licençadói mais do que deveria

o seu estilo

você acha seu estiloquando dá mais valorao ódio do que ao amorquando franqueiaa entrada dossentimentosinóspitospara viverum dissabor você acha seu estiloquando deixa arderquando tem rituaisdensosquando anarquizao status quodas palavrasquando não ligase a rima é alvaou se a almaé fraca você perde seu estiloquando tenta plagiarbukowskiquando tenta entenderclaricequando temviés de confirmaçãoquando se importa você perde seuContinuar lendo “o seu estilo”

noites juvenis

lembrei de quando tocávamos“boys don’t cry” no parquenaquelas madrugadas sutisque não precisavam acabarcomo acabaram precisandoantecipavam ressacase ressacas ainda eramcomedidamente poéticasa bebida era transportee não o destino finalas drogas ainda nãocheiravam usuáriossomente música e prazermistérios nas penumbraso desespero ainda nãopintava seus cabeloscom meu sanguee violões ainda eramos psicanalistasda noite

se existir deus

se existir deuse isso é irrelevantedeve se ser sentir enojadocom tanta mendicância eu já pedi tantopor um enfartopor uma mulherpor uma saída hojeo presenteme satisfazcom suasimperfeições e meus ensinamentosvêm dos meus maioresfantasmas se existir deuse isso é irrelevanteele sorri amareloobservandominha tenraemancipação