elogios

você disse que eu era inteligente
amaciou meu ego
me elogiou

você disse que eu escrevia bem
que eu era bonito
me adulou

você disse que eu fiz tudo certo
queria meu DNA
me abraçou

você fez
muito
mal
para
mim

nunca mais
elogie
defuntos
eles viram
zumbis
e possuem
hálito
podre
e isso é
muita
responsa
para quem
apenas quer
elogios em
retorno

a busca pelo exagero

a busca incessante pelo exagero
pode ser algo
que eu copiei de alguém
talvez vários retalhos
de antigos gurus
da minha ausência
de personalidade própria

nessa reflexão
vejo bukowski
vejo raul
vejo arnaldo baptista
vejo syd barrett
vejo jim morisson
vejo gente morta
ou debilitada

a minha responsabilidade
é que hoje
eu busco
incessantemente
tudo que possa
ser o extremo

a droga que possa
causar malefício
o ponto excessivo
do prazer
os limites
que não estão delineados
o mais infernal
rebote de dor
a culpa
mais verme e asquerosa
o poder mais divino
da ketamina

as palavras
que eu arrisco riscar
que chegarão
no seu ouvido
cheio de cera
e de serás
e de um descompassado
sutil e velado
apaixonado e roto
brado de negação

e os lacans
dos meus
travesseiros fétidos
buscarão respostas
para tanta falta
de responsabilidade
na busca sádica
pelo extremo
do seu amor

ajna

Se esforçar para ver cometerá o mesmo equívoco de sempre: tentar enxergar com os olhos burocráticos.

Não se deve esforçar para ver. Deve apenas esvaziar.

O nada direcionado às estrelas. A comunhão do caos com a ordem. O fim do precipício.

O medo e ânsia são agulhas negras na iluminação.

Sidarta não meditaria com fones de ouvido e a televisão ligada.

Faço o que posso agora. Estou suspenso no sétimo andar de um prédio e melhorando a cada dia.

O fim da ignorância é o começo do desapego. O começo da libertação é a ciência da minha ignorância. Minha ignorância é acreditar no meu ego.