camuflagem

não importa
mais
ter
argumento
ser
homônimo
pseudônimo
ou
ser
escrito
pelo
vento

não quero
endireitar
tuas
caligráficas
curvas
ou verter
teus pensamentos
às minhas proposições
sofismas
e
epifanias
alhures

quero
a
paz
de quem
passa
sem
ser
notado
de quem
não tem
flores
nem
caixão
fechado

quero
a
importância
de um
desdém
cafeinado
mais
aconchegante
do que
de fato
lembrado

depressão

dói sair
da cama
ardem
os pensamentos
como nuvens
empedradas

a vontade
é uma falácia
toda tentativa
é artificial
e o sorriso
impossível

a montanha
ao longe
chora
o mar
distante
grita
o coração
interno
gela
e
adoece

nem sei
por onde
respirar

deixo
aos pesadelos
do meu
inconsciente
o fio-guia

a vida
ainda
vai
voltar

volição





avalio meus passos
quando
pós-acidentado
ossos
expostos
sangue
arterial
em cascata
pedaços
do que
era
uno

avalio meus passos
quando
pré-acidentado
será
que
tenho
que
passar
por esta
hecatombe
ou posso
me obstar
ao caminho
fúnebre?

ainda não
houve deus
que me
respondesse
a questão
assumimos
os riscos
por diversão
e com medo
do céu
estar cheio
de almas
entediadas

são thomé letrado





eu que ando
vigilante e
descrente
no culto
misantrópico
dos que se tornam
resto

às vezes
transito
entre a
síndrome
de Estocolmo
e o narcisismo
vulnerável

percebi
a
falta
que
faz
morrer
aos poucos
pelas mãos
alheias

reflito
reluto
e ressinto

o e-mail
que nunca
chegará

a visita
a quem
nunca
oferecerei
café

o plano
que
nunca
sairá
dos
espaços
imagéticos
das entrelinhas
do
poema